Lista 2/03 - Exercício 10
Seja $(E,||.||)$ um espaço vetorial normado de dimensão infinita. Considere a topologia fraca em $E:\ \tau_w$. Ou seja, a topologia inicial gerada pelas funcionais lineares que são contínuos (na topologia da norma). Mostre que todo aberto fraco não vazio ($\varnothing \ne A \in \tau_w$) é um conjunto ilimitado.
Conclua que no caso de dimensão infinita, a topologia fraca é estritamente mais fraca (tem menos abertos) que a topologia da norma.
- GGeorge Kiametis @georgekiametis
Sejam $\tau_{\mathbb{R}}$ a topologia usual em $\mathbb{R}$, $\tau_{||\cdot||}$ a topologia da norma em $E$ e $\tau_w := \{ f^{-1}(V) \subset E ; f \in E', V \in \tau_{\mathbb{R}}, f^{-1}(V) \in \tau_{||\cdot||} \}$ a topologia fraca em $E$. Seja $U \in \tau_w$ uma vizinhança aberta de $x$ em $E$, então existem $V_i \in \tau_{\mathbb{R}}$ vizinhanças abertas de $y_i := f_i(x) \in \mathbb{R}$ para $f_i \in E'$ tais que $f_i^{-1}(V_i) = U$, $i = 1, \cdots, n$ para algum $n \in \mathbb{N}^*$. Como as bolas abertas em $\mathbb{R}$ geram $\tau_{\mathbb{R}}$, podemos supor, sem perda de generalidade, que $V_i = (y_i - \varepsilon_i, y_i + \varepsilon_i)$ para $\varepsilon_i > 0$, $i = 1, \cdots, n$. Definindo $\varepsilon := \min_{i \in \{ 1, \cdots, n \}} \varepsilon_i$ e $W_i := (y_i - \varepsilon, y_i + \varepsilon)$, vemos que $x \in \bigcap_{i=1}^n f_i^{-1}(W_i) \subset U$, portanto
$$\{ x \in E ; |f_i(x)| < \varepsilon, f_i \in E', i = 1, \cdots, n \} \ (1)$$
forma uma base para $\tau_w$ já que $\bigcap_{i=1}^n f_i^{-1}(W_i) \in \tau_w$ por definição de $\tau_w$. Sendo assim, basta mostrar que, se $f_1 \in E'$ não é injetiva (sempre existe um, considere, por exemplo, $f_1 \equiv 0$), então
$$B := \{ x \in E ; |f_1(x)| < \varepsilon \}$$
é ilimitado.
De fato, se $f_1 \in E'$ não é injetiva, então existe $x_0 \in E$ tal que $f(x_0) = 0$, o que implica $f(m x_0) = m f(x_0) = 0$ e, consequentemente, $m x_0 \in B, \forall m \in \mathbb{N}$, o que mostra que $B$ é ilimitado.
Agora, sejam $\emptyset \neq A \in \tau_w$ e $x_1 \in A$ quaisquer. Como os conjuntos definidos em $(1)$ formam uma base para $\tau_w$, deve existir
$$B := \{ x \in E ; |f_1(x)| < \varepsilon \}$$
tal que
$$x_1 \in B \subset A.$$
Tal $B$ sempre existe para qualquer $x_1 \in A$, basta tomar $f_1 \equiv 0$. Como $B$ é ilimitado e $B \subset A$, segue que $A$ é ilimitado.
Por fim, vamos mostrar que $||\cdot||: (E, \tau_w) \rightarrow (\mathbb{R},\tau_{\mathbb{R}})$ não é contínua. Suponha por absurdo que essa função seja contínua, então a bola
$$||\cdot||^{-1}((-1,1)) = B_1(0)$$
é um aberto na topologia fraca e, pelo que foi visto anteriormente, deve ser ilimitada, o que é um absurdo, logo $||\cdot||: (E, \tau_w) \rightarrow (\mathbb{R},\tau_{\mathbb{R}})$ não é contínua. Assim, encontramos um subconjunto $B_1(0) \subset E$ tal que $B_1(0) \in \tau_{||\cdot||}$, mas $B_1(0) \notin \tau_w$, portanto $\tau_w \subsetneq \tau_{||\cdot||}$.
- AAndré Caldas @andrecaldas
A descrição de $\tau_w$ não está correta. Esse que você colocou é só um conjunto gerador da topologia.
Acho que o que você está pensando está correto! Mas você está escrevendo algo um pouco diferente.
- GGeorge Kiametis @georgekiametis
@andrecaldas, seja $\mathcal{C} := \bigcap_\limits{f \in E'} f^{-1}(\tau_{\mathbb{R}})$, então $\tau_w := \bigcap_\limits{\mathcal{C} \subset \tau} \tau$? Se for, então acho que $\tau_w$ vai ser formada pelas intersecções finitas de elementos da forma $f^{-1}(V)$ com $f \in E'$ e $V \in \tau_{\mathbb{R}}$ e uniões arbitrárias dessas intersecções finitas (esse conjunto forma uma topologia que eu vou denotar por $\theta$). De fato, $\mathcal{C} \subset \theta$, pois mostrei que o conjunto $(1)$ gera $\mathcal{C}$ e, consequentemente, $(1)$ contém $\tau_w$. Como $\mathcal{C} \subset \theta$ e $\theta$ é topologia, $\tau_w \subset \theta$. As intersecções finitas de elementos da forma $f^{-1}(V)$ com $f \in E'$ e $V \in \tau_{\mathbb{R}}$ estão em $\mathcal{C}$ e, consequentemente, estão em $\tau_w$, sendo $\tau_w$ topologia, as uniões arbitrárias dessas intersecções também estão em $\tau_w$, então $\theta \subset \tau$, logo $\tau_w = \theta$. Isso está certo? Se tiver, então $(1)$ forma uma base para $\tau_w$ pelo que mostrei antes e por essa caracterização de $\tau_w$ e o que fiz antes responde o exercício.
- AAndré Caldas @andrecaldas
O $\tau_w$ que você colocou não é a topologia, mas é gerador da topologia. (tem um errinho... $V \in \tau$)
O $(1)$ é base de vizinhanças do $0$. :-)
Pelo visto, você concorda comigo, e também acha que é mais natural falar das vizinhanças do $0$ do que dos abertos. :-)
- GGeorge Kiametis @georgekiametis
Como posso definir $\tau_w$? Só encontrei definições dessa topologia "em português", algo como "$\tau_w$ é a menor topologia que torna os funcionais lineares contínuos", mas como poderia escrever a definição de $\tau_w$ usando símbolos matemáticos? Sobre o erro, $V \in \tau_{\mathbb{R}}$? Porque você quer a menor topologia tal que $f \in E'$ (isto é, $f: E \rightarrow \mathbb{R}$ é um funcional linear) é contínua, certo? Não entendi porque $V \in \tau$ sendo que $\tau$ é uma topologia em $E$ e $V \subset \mathbb{R}$. Sobre $(1)$, acho que entendi agora, uma base de vizinhanças de $\textbf{x}$ seria
$$\{ y \in E ; |f_i(y) - f_i(x)| < \varepsilon, f_i \in E', i = 1, \cdots, n \},$$
certo?
- AAndré Caldas @andrecaldas
Por exemplo, pela aula de hoje, se você conhece as vizinhanças de $0$, você conhece as vizinhanças de qualquer ponto. E os abertos são os conjuntos que são vizinhanças de seus pontos.
Ou então, você pode esquecer essa coisa de $\varepsilon$... vamos acabar como $\varepsilon$!!! Porque você não pega imagem inversa de abertos de $\mathbb{R}$?
Acho que o pessoal gosta de usar $f^{-1}(-\varepsilon, \varepsilon)$, porque é base de vizinhanças da origem.
- Em resposta ageorgekiametis⬆:AAndré Caldas @andrecaldas
Certo! Essa seria uma base de vizinhanças de $x$. Esses conjuntos que você colocou são $f^{-1}(B_\varepsilon(f(x))$.